Um inferno dentro do inferno
Ontem foi um dos piores dias do ano, senão o pior. Pra quem tava lá assistindo aos shows do evento de 1º de Maio, tudo correu como sempre. Calor, suor, melação de corpos, gostosas se apresentando no palco, cantores bregas e ridículos fazendo a mulherada de cabeça pequena molhar a calcinha de excitação. Um paraíso no inferno.
Pra quem tava lá atrás do palco, recebendo a imprensa e os “artistas”, foi uma merda completa. Desorganização total. Não poderia ser pior. Quer dizer, poderia, mas só se abrissem a porta pra todo mundo entrar. Porque só faltou mesmo isso.
Fiz papel de idiota escoltando filha e amigas da filha de um diretor. “Leve a menina pra ver o Alexandre Pires um minuto, Átila”, disse o diretor de marketing. Claro, quem sou eu pra me negar a fazer isso, não é mesmo? E o pai da menina ainda disse pra ver se dava pra elas verem o Leonardo. “Vou tentar, vou tentar.” Nestas horas, é melhor parecer a pessoa mais bem intencionada e disposta do mundo. Nunca se sabe o que podem falar de você pro seu chefe. Mesmo numa central sindical -que deveria ter a função primordial natural de proteger o trabalhador, fazendo com que nada injusto aconteça com ele-, pode-se perder o emprego por isso ou, no mínimo, ser mal visto, o que já atrapalha bastante no dia-a-dia.
Também quase fui agredido fisicamente por um repórter insano. Tudo por culpa da decisão do meu chefe e do marketing em não colocar comida e bebida na sala de imprensa. Justificaram a medida dizendo que era para não juntar gente que não era da imprensa. “Quem quiser comer que vá comprar”, foi o que ouvi semana passada. Legal. Só que esses caras que determinaram isso não ficaram lá pra ver o que aconteceu e não sofreram nada com isso. Eu, sim. E a reclamação do repórter que quase me agrediu -que, apesar da insanidade e da exaltação, tinha razão- era simplesmente porque não havia água na sala. Todos estavam lá fazia horas, num lugar pequeno (outro erro da organização), completamente sujo (de latas e da pouca comida que passou por ali), quente (tinha três aparelhos de ar-condicionado que não funcionavam ou não davam conta do recado) e fedendo a suor. Outro inferno, só que neste caso não estava bom pra ninguém.
Havia um lugar com comida e bebida para a imprensa, mas havia tanta gente que não era nem imprensa nem da organização (os famosos conhecidos de não sei quem) que decidiram fechar a área. Ninguém mais podia nem beber água nem comer o que quer que fosse. Nem -veja bem- nem nós, da assessoria de imprensa. Da organização, enfim. Resultado: fui obrigado a pagar pra almoçar. Me restou o McDonald’s. (Nem preciso dizer que não haverá reembolso disso, né? Que bom que vocês entendem)
Gostaria muito, de coração, de nunca mais participar desse evento. Mas não tem jeito. Sou obrigado a trabalhar nisso.
Alguém tem alguma sugestão pra mim? Aguardo ansiosamente.