Vigilância e controle: o mundo precisa de análise

atilac sáb 08.maio.2004 19:30:00

Num thread que está rolando na lista da minha turma de pós-gradução em Mídias Interativas, sobre vigilância e controle, mandei uma mensagem que achei legal postar aqui. Lá vai.

* * *

O mundo precisa mesmo de análise (a Mari* tá certa), porque só uma análise muito profunda poderia ajudar o próprio mundo a se descobrir, só essa análise pode ajudar a desvincular o conceito de poder do conceito de potência sexual. Quando penso em ditadores (óbvios, como Fidel, e quase assumidos, como Bush), penso em homens sexualmente impotentes que não conseguem resolver seus traumas sozinhos (e não sabem que deveriam procurar uma terapeuta ou não querem) e acabam por extravazar seus traumas nos seus iguais, em nós, no mundo, enfim. Sendo mais direto, fodem as pessoas do jeito que podem (porque pra esses caras parece que foder é o mesmo que mandar, controlar).

Também acho que isso de vigilância, controle, existe em grande parte porque nossa sociedade é essencialmente machista -nunca vi mulheres ditadoras. É como se o homem vivesse um momento de insegurança em relação à sua sexualidade e à sua performance que só pode ser resolvido com o controle do outro -e das outras. “Precisamos mostrar que temos poder, que podemos controlar essa joça. Que ELAS não podem tanto quanto nós.”

Duvido que um mundo igual, ou seja, em que homens e mulheres são considerados iguais por eles mesmos, padeça dos mesmos problemas. Acho que algumas sociedades são exemplo disso (a Suécia acho que pode ser citada).

Esse potencial analista do mundo (que bem poderia ser uma mulher) deveria mostrar a esses homens que o mundo não precisa de vigilância para ser melhor ou mais seguro. Só precisa de liberdade. E dar liberdade para as pessoas não significa bagunça (essa é a mentalidade do homem tradicional, aquele que mandava na casa e dizia que “botava ordem na casa”). Significa ensiná-las a valorizar o ser humano em tudo o que fizerem. Pode-se fazer tudo, desde que o ser humano (a natureza e tudo o mais relacionado a ele) seja preservado, seja sempre o objetivo.

Tá certo, tá certo, sou muito ingênuo. Mas acho que ingenuidade é um artigo raro hoje e é também necessário pra fazer contraponto a essa realidade crua e dura que a socidade vive (deixando bem claro que não acho que a realidade seja totalmente dura ou ruim).

* Mari é a Mariana Otero, uma das pessoas mais queridas da turma e mais legais que já conheci. Foi ela que sugeriu que o mundo precisa de análise e de quem eu roubei o conceito pra escrever esse texto. 😉

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